O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), participou nesta quinta-feira (7), em Brasília, de uma reunião com outros chefes de Executivo estaduais para discutir temas de repercussão nacional. O encontro contou com a presença de Tarcísio de Freitas (PSD-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Mauro Mendes (União Brasil-MT), Wilson Lima (União Brasil-AM), Cláudio Castro (PL-RJ), Jorginho Mello (PL-SC) e Ibaneis Rocha (MDB-DF).
Embora o Governo do Paraná não tenha confirmado oficialmente a pauta, lideranças presentes apontaram que as discussões foram motivadas por dois fatos recentes: a aplicação de tarifas de 50% pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros e o decreto de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que o encontro tratou dos impactos econômicos do chamado “tarifaço” nos estados. Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, declarou em suas redes sociais que houve críticas à postura do Governo Federal e defesa de maior articulação no Congresso Nacional para buscar uma solução diplomática.
O Paraná deve ser um dos estados mais prejudicados pelas tarifas norte-americanas. Setores produtivos já manifestaram preocupação com possíveis perdas bilionárias. A Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE) alertou que milhares de empregos estão em risco.
A fabricante de madeira Millpar, que tem os Estados Unidos como principal mercado consumidor, colocou 720 de seus 1.100 funcionários em férias coletivas nas unidades de Guarapuava e Quedas do Iguaçu. O estado é o maior produtor brasileiro de madeira de florestas de pinus. Apenas em 2024, as exportações do setor somaram US$ 614 milhões, parte dos US$ 1,7 bilhão enviados pela região Sul para os EUA.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) também advertiu para prejuízos em outros segmentos, como peixes e café. Estudo da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) mostrou que oito dos dez principais produtos exportados pelo estado serão afetados, comprometendo a competitividade industrial.
Com o agravamento da crise comercial, Ratinho Júnior voltou a cobrar do Governo Federal uma saída diplomática para amenizar os impactos econômicos e preservar empregos no Paraná.