Dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas neste domingo (3) em diversas cidades brasileiras para protestar contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pedir o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Convocados pelo movimento “Reaja, Brasil”, os atos reuniram apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que não participou por estar sob medidas cautelares impostas justamente por Moraes.
Em São Paulo, a Avenida Paulista foi tomada por uma multidão que ouviu discursos de lideranças como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que convocou nova manifestação para o próximo 7 de setembro. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, afirmou que a manifestação superou todas as anteriores. Diversos parlamentares pediram anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e pressionaram o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a pautar o projeto sobre o tema.
Em Curitiba, o ato ocorreu na tradicional Boca Maldita, na Rua XV de Novembro, e teve início por volta das 14h. O deputado federal Filipe Barros (PL-PR), pré-candidato ao Senado em 2026, foi uma das principais vozes presentes. Ele afirmou que “a Boca Maldita está lotada na defesa da democracia brasileira” e denunciou o que considera perseguição judicial contra a direita. Barros também criticou a lentidão dos inquéritos contra opositores políticos e os classificou como “um mal para a democracia brasileira”.
Em todo o país, os protestos aconteceram em pelo menos 70 cidades, segundo o senador Rogério Marinho (PL-RN). Os maiores públicos foram registrados em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Belém, Campo Grande e Porto Alegre. Cartazes e faixas traziam frases contra o STF, o governo Lula e figuras como Hugo Motta, rotulados por organizadores como “inimigos da nação”.
Apesar da mobilização massiva, os governadores de direita cotados para disputar apoio de Bolsonaro em 2026 — como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Júnior (PR) — optaram por não participar dos atos. A ausência foi notada por lideranças do PL, que pressionam por mais engajamento político já em 2024.
As manifestações foram marcadas por apelos à liberdade de expressão, críticas ao Supremo Tribunal Federal e à condução do país pelo atual governo. A oposição espera que o impacto das manifestações pressione o Congresso a agir em pautas estratégicas como a anistia dos presos do 8 de janeiro e o impeachment de Alexandre de Moraes.