Há muito tempo atrás, o estudioso Freyre, apresentava a essência de seu método, que propunha a harmonização dos opostos , a conciliação dos contrários: “Sem esquecer por um momento que o antagonismo foi demolido pela interpenetração das culturas e pela miscigenação- os fatores democratizantes de uma sociedade que, de outra forma teria permanecido em dois grupos irreconciliáveis- não podemos ver com indiferença o ciclo aristocrático dessas relações interpessoais e inter-regionais simbolizadas pelo complexo de casa-grande-senzala na história da sociedade brasileira e da cultura brasileira” .
Lembrando que a obra é de 1933. Portanto reflete o pensamento do brilhante Gilberto exposto há quase 100 anos e que refletia sua satisfação pela demolição do antagonismo.
Pois menos de cem anos depois o antagonismo vive e com inaudito vigor. De um lado o grupo formado pelo petismo do Executivo e de seu maior associado o STF, e de outro uma parcela imensa de pessoas ligadas a Direita, que se albergam no bolsonarismo, que de fora para dentro sugere mais e mais divisão.
Penso que se vivo fosse o sociólogo estaria estupefato com o retrocesso, que aliás se avoluma face as nominadas minorias que sem embargo buscam incessantemente aprofundar as divisões com um discurso que se torna cada vez mais intenso e valora o divisionismo!
A solução está muito longe de ser oferecida, pelo menos se a expectativa for embasada em ação de políticos, que tem parca visão de estado e visam tão somente a manutenção de seus nababescos empregos públicos.
Então o que é possível fazer a curto prazo?
Creio firmemente que a saída está na manifestação popular nas ruas, isto com base no velho e sábio Ulisses que afirmou que esta turma só teme o povo e quando unido.

DA POLÍTICA
Pois da política há pouco a esperar porquanto a divisão como escrevi acima, é abissal. Todavia, me resta uma esperança que políticos em ascensão como é o caso de Ratinho Junior e Tarcísio, por exemplo, consigam estabelecer parâmetros de comportamento neste momento de óbvia crise institucional, e mais, crise civilizatória, para oferecer uma alternativa real de futuro imediato e mediato para esta Nação de mais de duzentos milhões de seres humanos.
Fiz questão de frisar que somos humanos, e não somente uma gigantesca massa de manobra de interesses político partidários, como os extremistas acreditam!
É imperioso construir um caminho alternativo que tenha como alicerce uma proposta de união nacional, com ênfase para saúde, educação e segurança.
O VEXAME INTERNACIONAL E A DESMORALIZAÇÃO DA JUSTIÇA?
O título vem finalizado com uma interrogação que na minha visão, no meu viés pessoal representa sentimento verdadeiro. E explico e justifico, aliás; posto dever-se a dúvida real! Sei que uma parte da JUSTIÇA BRASILEIRA se contaminou com as células cancerígenas que estão instaladas na Suprema Corte!
Células estas que se reproduziram e continuam se reproduzindo posto que Lulle continua aparelhando a justiça brasileira com a turma como fez agora no STJ nomeando uma senhora para a Corte havida das trincheiras do petismo.
Esta trajetória só poderia levar ao que já levou e continuará levando, a saber, provocar uma abissal distância entre o que realmente significa JUSTIÇA, e o que se pratica neste País que é um ressignificar o conceito e sobretudo valorizar os lacaios e oportunistas a serviço de Mamon!
UMA AULA DE PAVINATTO
Reproduzo porque acho fundamental oportunizar a quem ainda não leu, essa aula brilhante do Dr. Pavinatto.
“Em 1999, o senador Antônio Carlos Magalhães pediu à CCJ que definisse o conceito constitucional de reputação ilibada: É detentor de reputação ilibada o agente público ‘que desfruta, no âmbito da sociedade, de reconhecida idoneidade moral, que é a qualidade da pessoa íntegra, sem mancha, incorrupta’.
Em 2014, ao tratar do perfil ético dos juízes em sua tese de doutorado, Ives Gandra da Silva Martins Filho, apresenta farta jurisprudência sobre condutada incompatíveis a juízes, desembargadores e ministros quando incompatíveis com a honra e o decoro: não gozam de reputação ilibada e, portanto, não podem julgar.
A reputação ilibada é o fardo do juiz; é suportável por aqueles dotados com a virtude da prudência, virtude que, na esteira de Aristóteles, se desdobra em memória (tirar lições do passado), docilidade (aceitar os conselhos), providência (fazer o juízo de consequência dos próprios atos) e circunspecção (saber calar ou falar o estritamente necessário).
Sem a virtude da prudência, porque pré-requisito, nenhuma pessoa alcança a virtude da Justiça e, portanto, é não serve (porque não presta) para ministrar a Justiça de qualquer Estado de Direito. Logo, se um país conta com alguém sem tais qualidades em sua Corte Maior, padece de uma excrescência ‘in ré ipsa’, um câncer que deve ser extirpado antes da metástase das suas decisões… processo que mata o Estado de Direito pouco e pouco, leva-o à necessidade de medidas excepcionais (mas conhecidas pela Constituição do corpo nacional) ou à morte.”
LEMBRANDO O PASSADO: VANESSA GRAZZIOTIN

Só para lembrar a turma da esquerda que hoje defende, de forma intransigente e despudorada o sancionado, que não foi só Gleisi que cerrou fileiras contra o mesmo: cabe lembrar, Vanessa Grazziotin, então senadora pelo Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB – AM.
Transcrevo aqui notas taquigráficas do Senado da República, quando da sabatina do afilhado de Michel Temer.
“Sr. Presidente, Sr. ª e Srs. Senadores, conforme noticiado não só no dia de hoje, mas noticiado ainda no dia 7 de outubro do ano passado, de 2016, a imprensa divulgou, através de vários jornais, inclusive a Folha de S. Paulo, que havia uma petição envolvendo o então Ministro Alexandre de Moraes.
A petição passou a tramitar no tribunal no dia 14 de setembro. No mês de agosto do ano passado, a Polícia Federal havia apreendido planilhas de uma empresa do ramo imobiliário denominada JHSF, que mostravam pagamentos de R$4 milhões ao escritório do Ministro, no período de 2010 a 2014.
(…)
Também no período, até o mês de junho de 2010, o Ministro ocupava um importante cargo de Secretário de Transportes da Prefeitura do Município de São Paulo, administração do hoje Ministro Gilberto Kassab. Ocorre, Sr. Presidente, que a nossa Constituição é clara quando fala da condição ilibada do indicado. De acordo com o que a notícia se refere, esse não é um processo – reconhecemos -, mas é uma investigação que corre sob sigilo de justiça. Quando há sigilo, havia pelo menos iniciais; nem iniciais existem, apenas sigilo.”
Desde o início, configurou-se uma indicação perigosa, perniciosa havida de um conluio político que se prenunciava um desastre como de fato se tornou.
REGIONAIS

A IMPORTÂNCIA DE 03 DE AGOSTO:
Quem me segue, sabe quanto verberei contramanifestações circunscritas a Rio e a São Paulo – sempre lembrando que a grande vitória da direita jamais configurou-se nestas duas capitais. Muito pelo contrário, Bolsonaro recebeu dois milhões de votos a menos que Lulle, o Mendaz, na capital paulistana em 2022 – exatamente a diferença final entre os então candidatos.
Felizmente, neste 03 de agosto, os brasileiros de todos os recônditos foram chamados para dizer “presente” nas ruas. Todavia, neste sagrado dia em que se inicia a retomada da real democracia na Pátria amada, é relevante que o foco das manifestações seja centralizado no iluminar dos escaninhos do Senado Federal. Não é mais possível que os Senadores se escondam, alguns na fragilidade e imoralidade de suas trajetórias pessoais, outros no seu simples viés ideológico, e outros tantos no seu universo frágil que se subsome a deixar de cumprir sua sagrada missão de representar o sentimento da maioria do povo brasileiro.
No meu modesto entender, a manifestação que se avizinha não deve perder-se na defesa de uma tese menor, que não seja exigir do Senado da República que reconduza a Suprema Corte ao seu viés constitucional. Não se trata simplesmente de impedir um Ministro, mas sim (e sobretudo) de recuperar, enquanto é possível, a democracia brasileira que inegavelmente está passível de gravíssimo risco.
A ninguém é dado o poder de ignorar o quanto ditatorial é o conciliábulo STF x Lulle; e o fato de um Ministro já ter sido sancionado, e outros estarem a caminho, sanção esta de nação estrangeira, que serve naturalmente de alerta, mas não pode substituir a obrigação e o dever que o povo brasileiro tem de compelir os Senadores a, finalmente, cumprir o que lhes é determinado, e pelo que, aliás, são regiamente remunerados para: ou seja, cumprir a Constituição.
Este domingo tem que ressignificar a história de coragem do povo brasileiro. As ruas deverão ser o porta voz da indignação de cada um de nós, em relação a esse processo de destruição moral da Corte Maior, que envolve não só a intromissão direta nas decisões de Estado, mas algo que nenhum de nós pode ignorar, que é o conciliábulo de Ministros com escritórios de advocacia de parentes e afins que transformaram as decisões da Corte num grande cartório, de despacho, de interesses de grupos privados; tanto verdadeiro que as vinte maiores exportadoras deste país têm sob contrato escritórios de familiares da dita Corte.
Já se faz tarde, concidadãos, e este é o momento em que o Brasil pode – e deve – retomar o caminho da moralidade e dignidade da Justiça.
ELEIÇÕES REGIONAIS:
Claro que me interessa muito a eleição do Estado do Paraná, e por esse motivo desde logo me comprometo a escrever a semana que vem tão somente sobre esse tema, e já com a atualização das novidades.
A ÚLTIMA
A turma fanática pelo lulismo insiste em que ele melhorou muito nas pesquisas, em função dos últimos acontecimentos. É incrível como pessoas dotadas de reconhecida inteligência, e não raras vezes de conhecimento científico, podem se fazer iludir com o artifício de marketing que é pesquisa paga. Incrível!
ORAÇÃO DE OGIER BUCHI:
A grande questão é saber se a lei Magnitsky vai ser aplicada na defesa do Athlético ou no ataque do Coritiba.