Sob protestos de professores que lotaram as galerias da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o deputado estadual Delegado Tito Barichello (União Brasil) protocolou nesta terça-feira (3) um pedido de cassação do mandato do deputado Renato Freitas (PL), alegando quebra de decoro parlamentar.
A solicitação, apresentada em conjunto com o deputado Ricardo Arruda (PL), tem como base uma denúncia que aponta que Freitas teria utilizado sua prerrogativa parlamentar para facilitar a entrada de manifestantes na Alep, durante um ato ocorrido em junho de 2024. Segundo os parlamentares, a ação culminou na ocupação do plenário, o que teria impedido o andamento regular das atividades legislativas.
Durante seu pronunciamento, Barichello adotou tom exaltado, afirmando que Freitas, a quem chamou de “líder da esquerda no Paraná”, estaria sendo tratado com leniência em comparação aos manifestantes do 8 de janeiro de 2023, que invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília. “Vidros foram quebrados e dois policiais ficaram feridos”, disse o deputado, comparando os episódios.
A deputada Flávia Francischini (União Brasil), que presidia a sessão, interveio para pedir calma a Barichello e solicitou aos manifestantes nas galerias que respeitassem o andamento dos trabalhos. Os protestos, no entanto, continuaram durante boa parte da fala do deputado.
Em resposta, parlamentares da oposição saíram em defesa de Renato Freitas. Os deputados petistas Professor Lemos e Arilson Chioratto afirmaram que a bancada não aceitará qualquer tentativa de retaliação política contra o colega. “Não vamos permitir nenhum ato contra o deputado Renato Freitas”, afirmou Chioratto.
A denúncia foi protocolada no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Alep, que agora deve analisar o caso e decidir se haverá abertura formal do processo de cassação.