Ratinho Junior critica reação do governo Lula ao tarifaço dos EUA e defende diplomacia para preservar relação comercial

Durante participação no evento Expert XP, promovido neste sábado (27/7) em São Paulo, o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), fez duras críticas à postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) frente à nova rodada de tarifas comerciais anunciadas pelo governo dos Estados Unidos. Ao lado dos governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Ratinho afirmou que falta clareza e estratégia à gestão federal, que estaria tratando o tema com amadorismo e viés ideológico.

“Hoje, temos um governo que demonstra que não sabe onde quer chegar. Sobre uma questão tão importante, que é o tarifaço do Trump, muitas vezes o Brasil se vitimiza demais”, afirmou Ratinho, diante de uma plateia formada majoritariamente por empresários e investidores.

O presidente norte-americano Donald Trump anunciou um tarifaço de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil aos EUA. As medidas, segundo comunicado oficial da Casa Branca, entrarão em vigor no dia 1º de agosto e foram acompanhadas pela abertura de uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.

Para o governador paranaense, o caminho adequado seria a diplomacia ativa. Ele citou países como China, Japão e Canadá, que enviaram representantes e chanceleres aos Estados Unidos em situações semelhantes. “Aqui nós fazemos vídeo na internet para brincar sobre esse assunto, como o presidente fez há alguns dias. É uma falta de inteligência”, criticou.

Ratinho ainda alertou para os impactos diretos sobre a economia brasileira e defendeu a atuação do Itamaraty na construção de um canal direto de diálogo com o governo americano. “Não temos de falar em desdolarizar o comércio. Nem a China ou a Rússia fizeram isso, ninguém tocou neste assunto. O Bolsonaro [ex-presidente Jair Bolsonaro] não é mais importante que essa relação comercial entre os Estados Unidos e o Brasil”, acrescentou.

União da direita e eleições de 2026

Ainda durante o painel “O Brasil que se Constrói nos Estados”, Ratinho Junior foi questionado sobre uma possível união entre lideranças da direita para a disputa presidencial de 2026. Ele adotou um tom conciliador, ressaltando que o campo conservador possui “bons quadros” e que a pluralidade de candidaturas no primeiro turno pode fortalecer o debate democrático.

“O mais importante é que é um processo que provavelmente será de dois turnos. Então, aquele que tiver a condição e a alegria de ir para o segundo turno, eu não tenho dúvida de que terá competência para reunir todo esse time e apresentar um novo projeto para o Brasil”, afirmou.

Ratinho também destacou a importância de temas como educação, segurança pública e infraestrutura para o desenvolvimento sustentável dos municípios e defendeu o protagonismo dos estados na construção de soluções para os desafios nacionais.

A fala do governador reforça seu nome como uma das possíveis apostas do campo da direita para as próximas eleições presidenciais, ao lado dos colegas Tarcísio e Caiado — ambos igualmente críticos à condução do governo Lula frente à crise diplomática e comercial com os Estados Unidos.

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