O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a reunir apoiadores na Avenida Paulista neste domingo (29), em mais uma manifestação em sua defesa e contra o Supremo Tribunal Federal (STF), que julga a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Com o slogan “Justiça Já!”, o ato teve concentração em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) e reuniu milhares de pessoas
A manifestação ocorre em um momento delicado para o ex-presidente, investigado pelo STF por envolvimento na suposta tentativa de golpe de estado. O julgamento dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, também avança, atingindo aliados e parlamentares bolsonaristas. Em meio a esse cenário, o evento deste domingo evidenciou tanto o desgaste da narrativa golpista quanto a redução na capacidade de mobilização do ex-presidente.

Discursos contra STF e defesa da anistia
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi um dos principais nomes presentes. Em discurso inflamado, afirmou que o pai é alvo de “perseguição política” e descreveu o processo no STF como uma “aberração jurídica”.
“Estão atacando a maior liderança política deste país, uma pessoa honesta, patriota e amada. Quem abre mão da liberdade por medo acaba escravo por escolha”, declarou o senador, afirmando que não há provas contra o pai.
Ao lado do ex-presidente, Flávio disse que o STF atua de forma desequilibrada e que ministros, como Alexandre de Moraes, conduzem uma “inquisição jurídica”.

Jair Bolsonaro, por sua vez, voltou a negar envolvimento com tentativa de golpe e disse que os atos de 8 de janeiro foram “orquestrados pela esquerda”. Ele também atacou a atuação da Justiça Eleitoral e afirmou que o julgamento contra ele é “uma fumaça de golpe”.
“Não existe tentativa de golpe com bolinha de gude e estilingue. Golpe se faz com tanques, armas, articulação militar, apoio internacional. Que golpe é esse, meu Deus do céu?”, ironizou o ex-presidente.
Sem citar diretamente os ministros do STF ou do TSE, Bolsonaro criticou o que chamou de “prisões em massa” e o que vê como criminalização da oposição.
Entre as bandeiras levantadas estavam cartazes contra o sistema eletrônico de votação, pedidos de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e faixas em apoio a Jair e Eduardo Bolsonaro, muitas com alusões ao ex-presidente americano Donald Trump. Chamaram atenção faixas com os dizeres “Bolsotrump” e “Trumponaro”, além de bandeiras de Israel e dos Estados Unidos.
Pastor Silas Malafaia, principal articulador do ato, afirmou que o objetivo era dar espaço a diversas pautas. “Cada orador fala a bandeira que quiser”, disse. Já bastidores da organização indicam preocupação com o enfraquecimento do projeto de anistia, que enfrenta resistência no Congresso.
Apoios políticos
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Bolsonaro, compareceu discretamente ao evento. O vice-prefeito da capital, coronel Ricardo de Mello Araújo, representou o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e relativizou os eventos de 8 de janeiro, classificando-os como “depredação, não golpe”.
“Bolsonaro é candidato natural para 2026. E Tarcísio, na minha opinião, deve buscar a reeleição aqui em São Paulo”, afirmou o vice-prefeito.
A manifestação deste domingo marca a continuidade da estratégia de Jair Bolsonaro de mobilizar sua base diante dos processos no STF, mas também revela os limites atuais de sua influência popular. Com adesão em queda e sem uma pauta unificadora clara, o bolsonarismo enfrenta seu maior desafio desde 2018: manter viva sua militância diante de crescentes obstáculos judiciais e políticos.